Notas
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❚ Teus Pés de Lótus
❝ Ó Mãe, entrego-me à Tua misericórdia; Tomo refúgio em Teus Pés Sagrados. Não desejo confortos físicos; Não anseio por nome e fama; Não busco os oito poderes ocultos. Sê benigna e concede que eu tenha um amor puro por Ti, Um amor intocado pelo desejo, não maculado por quaisquer fins egoístas — Um amor almejado pelo devoto apenas por amor ao próprio amor. E concede-me a graça, ó Mãe, De que eu não seja iludido por Tua maya, que enfeitiça o mundo; De que eu jamais me apegue ao mundo, À luxúria e ao ouro, conjurados por Tua inescrutável maya. Ó Mãe, não há ninguém além de Ti a quem eu possa chamar de meu. Mãe, não sei adorar; Sou desprovido de austeridade; Não tenho devoção nem conhecimento. Sê benigna, Mãe, e, por Tua infinita misericórdia, Concede-me amor por Teus Pés de Lótus. — GUPTA, Mahendranath (M.). The Gospel of Sri Ramakrishna [O Evangelho de Sri Ramakrishna]. Tradução e introdução de Swami Nikhilananda. Nova York: Ramakrishna-Vivekananda Center, 1942. Cap. 38, “Com os devotos em Calcutá”, seção “Oração do Mestre”.
❚ O Mundo é Old Tech
❝ Nem analógico nem digital, nem natural ou artificial. O mundo é Old Tech.
O “Scan(m) for AI text” motiva esta nota. Julgar algo isoladamente pela sua aparência final e tirar conclusões sobre o processo que o originou é especulativo. Quando promovido sob o argumento de um grau de certeza técnica, fomenta desconfiança sobre o caráter do indivíduo, a quem restam cerca de 500 caracteres para justificar sua humanidade em “How I make this” ou a opção de desativar a verificação, ambas as alternativas resultando em julgamento prematuro.
O risco é rejeitar um conteúdo com base no veredito de uma IA, sob a justificativa de rejeitar o uso de IA. Não se escolhe entre o bem e o mal, mas entre dois “males”: a IA que simula a escrita e a que simula o julgamento da autoria. No final do dia, porém, ninguém está realmente avaliando qual desses sistemas está melhor implementado. São o autor e suas opções pessoais que estão sob escrutínio. Nós mesmos já nos acostumamos a especular muito a esse respeito, baseados em fragmentos textuais extrapolados a ponto de se tornarem medida de caráter. Neste sentido, tanto na escrita quanto na avaliação, o humano e o técnico-matemático formam um belo par, pois refletem a cultura obstinada pelo resultado, que perpetua o clichê de que os fins justificam os meios.
O termo “inteligência artificial” vem de 1955; o nome ficou e agora se aplica aos LLMs, nos quais o idealismo tecnicista ainda persiste. É uma metáfora que vende, assim como “reasoning”, “thinking”, “writing” e centenas de outras que a ciência da computação toma emprestadas de outras áreas e que soam simplesmente perfeitas para a publicação acadêmica e a comunidade leiga dos headlines.
“Artificial”, como promessa de reprodução técnica de uma faculdade superior, e “inteligência”, como termo espiritual, filosófico ou psicológico, conferem identidade disciplinar e favorecem a divulgação na economia de ideias; funcionam praticamente em todas as línguas e anunciam o produto sem necessidade de listar seus ingredientes.
Nesse mercado, a marca e a embalagem viram a alma do negócio e escondem que o recurso natural em escassez crescente é a própria inteligência natural de quem agora se subordina à “criatividade” e ao “julgamento” do produto. Sob um ou outro véu, o resultado está entre a emulação e a dissimulação da própria humanidade, venha ele do indivíduo culturalmente já endoutrinado ou da sua simulação computacionalmente implementada.
❚ Em Busca do Milagroso
❝ A evolução do homem é a evolução de sua consciência, e a ❛consciência❜ não pode evoluir inconscientemente. A evolução do homem é a evolução de sua vontade, e a ❛vontade❜ não pode evoluir involuntariamente. A evolução do homem é a evolução de seu poder de agir, e o ❛agir❜ não pode ser resultado de coisas que ❛acontecem.❜ — Ouspensky, P. D. Em Busca do Milagroso. 1949.
❚ A Ambivalência do Amor
❝ a ambivalência de chorar expressa uma alma que em lágrimas sofre a vivacidade do amor
um poema ❙ duas polaridades ❙ três leituras
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